sexta-feira, 12 de maio de 2017

Babá baiana relata racismo e humilhação após abordagem em loja da PBKids em SP

Noelia Vicente dos Santos, 48, babá que relata racismo em loja de shopping em São Paulo

Assim que adentrou a loja de brinquedos em um conhecido shopping na zona oeste de São Paulo, a babá Noelia Vicente dos Santos, 48, baiana de Maracás (sudoeste da Bahia) teve mais uma vez na vida a sensação incômoda de estar sendo observada com desconfiança, como se fosse fazer algo errado ali. Isso devido à sua pele negra. Não estava enganada.

Já fora do shopping Eldorado, depois de procurar sem sucesso um presente para a filha bebê de uma amiga, Noelia foi abordada por um segurança da PBKids. Na porta do elevador, ele pediu que ela informasse onde havia colocado um boneco que tinha retirado de uma prateleira.

"Gostei de um boneco de joaninha, que fazia um barulhinho. Peguei e andei com ele pela loja, mas desisti de comprar porque achei caro, R$ 40. Devolvi em uma estante qualquer e fui embora", diz a babá, que há 18 anos deixou a baiana Maracás para trabalhar "em casa de família" na capital paulista.

Noelia afirma que ficou menos de meia hora dentro da loja e que, ao notar que um segurança a "vigiava" com os olhos, resolveu criar uma empatia com ele para evitar mais constrangimentos.

"Perguntei se ele sabia onde eu encontraria uma boneca qualquer. Ele foi atencioso e chamou uma vendedora. Senti que tinha algo estranho naquele olhar, coisa que as pessoas negras sempre passam. Para evitar mais um constrangimento na minha vida, tirei o cartão de crédito e fiquei com ele mão."

Após sair da loja, por volta das 16h30, foi abordada pelo mesmo segurança que a observara nas dependências da PBKids. "Ele perguntou, sem agressividade, onde eu havia colocado o brinquedo. Fiquei surpresa, mas disse que tinha devolvido à prateleira. Ele retrucou que não tinham encontrado e me pediu para voltar à loja e indicar onde estava."

Babá narra momentos de pânico e humilhação após ter sido abordada por segurança

Em nota, a PBKids negou qualquer postura preconceituosa da empresa e de seus colaboradores, diz que apura o caso e "lamentou profundamente" o ocorrido com Noelia.

Muito nervosa, chorando e observada por clientes e funcionários da loja, a babá diz que não conseguia se concentrar para lembrar onde havia colocado o boneco.

"Liguei para o meu marido em pânico, pedindo ajuda. Estava me sentindo humilhada, arrasada. Foi aí que o segurança piorou tudo falando 'e aí, cadê?'. Joguei tudo que havia na minha bolsa no chão e gritei que não era ladra, que aquilo era preconceito." Depois de alguns minutos, ainda pressionada pelo segurança, segundo o relato da babá, ela pediu um tempo para respirar e se acalmar. Foi então que lembrou­se exatamente de onde tinha deixado a joaninha, em uma prateleira perto da saída.

"Estava lá, à vista de qualquer um. O segurança pediu desculpas e escondeu o crachá. Logo veio a gerente e também me pediu desculpas, mas disse que não tinha nada mais o que fazer. Não senti nela um acolhimento, parecia algo corriqueiro. Foi a maior humilhação da minha vida. Por causa de R$ 40."

JUSTIÇA 

"Nonô", apelido da babá que já trabalhou para personalidades como Rita Lee e Fernanda Young, prepara agora uma ação por danos morais. Ela será representada pela advogada Heloisa Bloisi.

"Já fiz o que a Nonô fez em lojas centenas de vezes e nunca fui abordada. É normal, mas é normal porque sou branca? O reparo não resolve a questão, mas pode representar algum alívio de que houve justiça", diz a defensora. O boletim de ocorrência a respeito do caso, ocorrido no último dia 4, será refeito nesta sexta­feira (12), por isso não é possível dizer ainda se haverá encaminhamento de investigação pela polícia por injúria racial, cuja pena máxima é de três anos e multa.

"Fui à delegacia de Pinheiros [14º DP] no mesmo dia. Depois de duas horas de espera, fui orientada a fazer a denúncia pela internet. Fiz, mas foi devolvido alegando inconsistência de dados. Vou novamente com a advogada."

Moradora do Grajaú, na zona sul, a babá afirma que resolveu se expor e entrar na Justiça para tentar "mudar o mundo". Mas admite que ficou vários dias perdida, confusa, sem entender porque tinha passado pela situação. "Não posso ser barrada nos lugares por causa da minha cor, e os negros não podem ficar acuados por irem onde bem entenderem. Se a gente não se expuser, não fizer algo, nada muda. Tem preconceito sim. Tem preconceito o tempo todo, em todo lugar."

OUTRO LADO 

A PBKids, uma das maiores empresas varejistas do ramo de brinquedos do país, informou por meio de nota que está apurando o fato relatado pela babá Noelia Vicente dos Santos e que considera o caso "inusitado", descartando qualquer possibilidade de ter havido preconceito racial. A rede informou que adota políticas afirmativas e, inclusive, comercializa produtos que evocam a diversidade, lamentando "profundamente que a senhora Noelia tenha se sentido constrangida" em uma das lojas.

Na nota, a PBKids declarou que não tolera qualquer tipo de discriminação em suas lojas, "não só racial, mas de gênero, idade, credo e ideias".

"Estimulamos a diversidade no quadro de colaboradores onde mais de 45% são negros ou pardos. Inclusive, o funcionário mencionado no caso é um senhor pardo com 64 anos e há 17 anos trabalhando na PBKids."

Ainda segundo a nota, "o respeito às pessoas faz parte do nosso DNA e, em mais de 20 anos de existência, não tivemos nenhum caso de discriminação de clientes ou colaboradores na PBKids".

E continua: "Até em nossa linha de produtos defendemos a diversidade racial. Em dezembro passado, lançamos, em parceria com o Baobá ­Fundo para Equidade Racial­ e a Estrela, a nova coleção exclusiva de bonecas negras Adunni, que em nígero­congolês Yorubá, significa 'a doçura chegou ao lar'".

Por fim, o texto informa que, "de forma alguma", o ocorrido tem relação com preconceito racial, "pois isso é algo que não faz parte da nossa cultura empresarial e dos nossos valores".

Texto: Jairo Marques
Fonte e fotos: Folha de São Paulo

Artesãos prometem resistir após ordem de desocupação em praça de Conquista

"Eles querem o que? Que meu filho precise de comida? E, se precisar, eu vou fazer o que? Meter arma na mão e entrar para o crime. Aí eles dão valor a nós”.

Os artesãos de rua que há vários anos ocupam o chão da praça 9 de novembro para comerciar seus produtos receberam com um misto de surpresa e indignação a notificação da Secretaria de Serviços Públicos para desocuparem em 72 horas a área, com a opção de ocuparem uma de duas áreas oferecidas, a Praça Sá Barreto e a calçada do Mercado Municipal do Bairro Brasil.
Representando o conjunto dos artesãos, o artista de rua Carlos Augusto Junior afirmou ao Diário Conquistense que a ordem é resistir à decisão. Não vamos sair daqui. Vamos ficar na resistência. E se vier polícia não vai bater em nós porque não somos vagabundos. Temos um modo diferente de viver e eles acham que somos errados porque não pagamos impostos”.
Na visão do artesão, a atitude foi arbitrária. “Eu trabalho nesta praça há dez anos. É uma história que tenho nesta praça. Ele chega aqui e me dá um papel, não conversam com a gente, não procuram saber o melhor ambiente para nós, querem nos colocar lá encima, onde não tem movimento nenhum, perto da boca de tráfico, de fumo. A gente já é malvisto, acho que não tem nada a ver colocar a gente perto daqueles ‘cheira thinner’”.
Segundo Carlos Augusto, com esta postura, o governo, a CDL e o Ministério Público acabam levando os artesãos à marginalidade. “Existe uma lei federal que protege o artista de rua, isenta de imposto, e eles vêm com essa lei de posturas municipais, atropelando a lei federal. Isso tá errado. “Não sou hippie, sou artesão de rua. Esse negócio de hippie é para marginalizar a gente. Porque os hippies eram os drogados, os promíscuos e nós não somos”
“Aqui tem pai de família, aqui não tem vagabundo. Eu mesmo tenho três cabeças para cuidar, aluguel, esposa, luz, água, comida, e tiro tudo do trabalho de minhas mãos. Em vou sustentar meus filhos como? Estão querendo nos jogar na marginalidade. Porque eu não sei trabalhar mais para ninguém. Vivo da arte. Pago pensão. Eles querem o que? Que meu filho precise de comida? E, se precisar, eu vou fazer o que? Meter arma na mão e entrar para o crime. Aí eles dão valor a nós”.

Postado originalmente em Diário Conquistense / Fábio Sena

Delegado Roberto Júnior assume coordenação regional da 21ª Coorpin

Foto: Arquivo/Itapetinga na Mídia
O delegado Roberto Júnior, de 42 anos, é o novo Coordenador Regional de Polícia. A nomeação saiu no dia Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, 12, por ato do governador Rui Costa. Ele vai substituir a delegada Rosilene Moreira Correia, que ocupava o cargo.
A 21ª Coorpin (Coordenadoria Regional de Polícia) engloba treze cidades, tendo como sede Itapetinga.
Para o lugar de Roberto Júnior, que ocupava a titularidade da Delegacia Territorial de Itapetinga, está de volta o delegado Irineu Andrade.
Fonte: Itapetinga na Mídia

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